Como fazer análise de curva ABC de produtos no GestãoClick

Atualizado em | 10 min de leitura

Aprenda a classificar produtos em A, B e C pelo giro e faturamento, e veja como o GestãoClick ajuda a priorizar o que realmente importa no estoque.

10 min

Quem administra um estoque com muitos produtos diferentes já percebeu que nem todo item merece o mesmo nível de atenção. Um estudo realizado em uma empresa de Botucatu (SP), com dados de 29 itens entre setembro de 2023 e setembro de 2024, mostrou isso na prática: apenas 5 produtos, equivalentes a 17,24% do estoque analisado, concentravam 78,83% do valor total.

É justamente esse tipo de concentração que a curva ABC ajuda a enxergar. A metodologia organiza os produtos conforme sua participação no valor total e divide os itens em três categorias: A, B e C. Assim, você consegue identificar quais produtos têm maior impacto financeiro e definir prioridades diferentes para cada grupo.

O problema é decidir onde concentrar atenção quando não dá para tratar todos os produtos com o mesmo cuidado. Contar estoque, acompanhar reposições e definir níveis de segurança para todos os itens da mesma maneira pode consumir tempo e recursos sem considerar o impacto de cada produto no resultado.

Neste guia, você vai entender como funciona a classificação A, B e C, aprender a calcular a curva ABC passo a passo com um exemplo completo e descobrir como usar os relatórios do GestãoClick para organizar os dados necessários para essa análise.

O que é curva ABC e por que ela ajuda a priorizar estoque?

Curva ABC é uma técnica que classifica produtos em três categorias (A, B e C) de acordo com o quanto cada um representa do faturamento total. Ela ajuda a priorizar estoque porque mostra, de forma objetiva, quais produtos merecem mais atenção de controle e reposição, em vez de tratar todos os itens do estoque com o mesmo nível de cuidado.

Assista também nosso vídeo para aprender ainda mais sobre a Curva ABC: 

Como funciona a classificação A, B e C?

A classificação parte de um princípio simples: numa lista de produtos ordenada do maior para o menor faturamento, uma pequena parte dos itens costuma responder pela maior parte da receita. 

Esse padrão de concentração não é uma coincidência de um negócio específico: ele tende a aparecer em praticamente qualquer estoque com produtos variados, porque a demanda de mercado raramente se distribui de forma igual entre todos os itens disponíveis.

Categoria A: poucos itens, maior parte do faturamento

Os produtos da categoria A são, tipicamente, uma fração pequena do total de itens do estoque, mas juntos respondem por cerca de 80% do faturamento. São os produtos que, se faltarem, geram o impacto mais direto e mais rápido no resultado do mês. 

Mas, vale entender por que esse impacto é desproporcional: como cada produto A já representa uma fatia grande da receita individualmente, a falta de um único item dessa categoria pode custar mais faturamento do que a falta de vários produtos da categoria C somados. 

É por isso que a categoria A concentra a prioridade de controle, mesmo sendo a menor em número de itens.

Categoria B: itens intermediários

Os produtos da categoria B ficam na faixa seguinte, respondendo por uma parte adicional do faturamento (geralmente até a marca de 95% acumulado), com menos concentração do que a categoria A, mas ainda relevante o suficiente para merecer acompanhamento regular

Essa categoria costuma ser a mais fácil de negligenciar na prática, justamente porque não é tão crítica quanto a A nem tão dispensável quanto a C: sem um critério claro, ela acaba recebendo o mesmo tratamento de um dos dois extremos, quando na verdade pede um meio-termo de atenção.

Categoria C: muitos itens, menor impacto no faturamento

Os produtos da categoria C formam a maior parte da lista em número de itens, mas juntos respondem pela menor fatia do faturamento total. Isso não significa que sejam produtos sem importância, apenas que o custo de tratá-los com o mesmo rigor de controle da categoria A costuma não valer o retorno. 

Um erro comum é confundir “categoria C” com “produto que não vende”: muitos itens dessa categoria vendem regularmente, só que em valor individual baixo, o que dilui sua participação percentual no total, mesmo com volume de vendas relevante em unidades.

Como calcular a curva ABC passo a passo

O cálculo da curva ABC segue quatro passos, e cada um deles resolve uma parte específica do problema de priorizar sem critério. O resultado fica mais claro com um exemplo numérico completo, do primeiro produto ao último.

1. Liste o faturamento de cada produto no período

Reúna o total vendido de cada produto num período (um mês, por exemplo), usando o relatório de vendas por produto do sistema que você já usa para registrar as vendas

Esse é o passo que mais costuma travar quem tenta fazer a análise manualmente: sem um relatório organizado por produto, a alternativa é revisar nota por nota ou venda por venda, o que consome tempo suficiente para desanimar antes de chegar ao cálculo em si. 

Definir o período certo também importa: um mês cheio de sazonalidade (como dezembro para presentes) pode distorcer a classificação se comparado a um mês comum, então vale escolher um período representativo da operação normal do negócio, ou repetir a análise em mais de um período antes de tirar conclusões definitivas.

2. Ordene do maior para o menor

Coloque os produtos em ordem decrescente de faturamento, do que vendeu mais em valor para o que vendeu menos. 

Esse passo parece trivial, mas é o que torna visível o padrão de concentração descrito no início do artigo: só depois de ordenados, os primeiros produtos da lista revelam o quanto já respondem pelo total, e essa visão fica evidente no próprio ato de olhar a lista ordenada, antes mesmo de calcular qualquer percentual.

3. Calcule o percentual acumulado

Some o percentual de faturamento de cada produto ao percentual acumulado dos produtos anteriores na lista. 

Esse acumulado é o que define em qual categoria cada produto entra, porque a curva ABC não classifica pelo valor absoluto de cada produto isoladamente, mas pela posição dele dentro da soma progressiva de toda a lista. 

Um produto de faturamento médio pode entrar na categoria A ou B dependendo de quanto os produtos anteriores já acumularam, o que reforça a importância de ter feito corretamente o passo de ordenação antes deste.

4. Classifique em A, B e C

Classifique como A os produtos até o acumulado chegar perto de 80%, como B até chegar perto de 95%, e como C o restante da lista. 

Esses cortes (80% e 95%) são referências amplamente usadas na técnica, não limites rígidos: o ponto de corte exato pode variar um pouco de negócio para negócio, e o mais importante é aplicar o mesmo critério de forma consistente entre uma análise e a próxima, para que a comparação entre períodos continue tendo sentido.

Exemplo numérico completo

Imagine uma loja com 10 produtos e o seguinte faturamento no mês, já ordenado do maior para o menor:

O faturamento total do mês é R$ 27.000. Os 4 primeiros produtos (P1 a P4) já somam 77,8% desse total, e por isso entram na categoria A: são apenas 4 de 10 produtos, mas respondem por quase 4 a cada 5 reais vendidos. 

Os produtos P5 a P7 empurram o acumulado até 94,4%, formando a categoria B. Os 3 últimos produtos (P8 a P10) somam apenas 5,6% do faturamento total, mesmo sendo 30% da lista em quantidade de itens: essa é a categoria C.

Vale notar como essa distribuição confirma o padrão explicado antes de calcular: 40% dos produtos (os 4 da categoria A) respondem por quase 80% da receita, enquanto os 60% restantes dos produtos (categorias B e C juntas) respondem por pouco mais de 20%. 

É exatamente essa desproporção que justifica dedicar mais tempo de controle aos produtos A do que aos produtos C, mesmo que a categoria C tenha mais itens para cuidar.

O que fazer com cada categoria na prática?

Classificar os produtos é só a primeira parte. O valor real da curva ABC aparece quando cada categoria recebe um tratamento diferente de controle, e não continua sendo gerenciada da mesma forma de antes da análise.

Categoria A: nunca deixar faltar

Como esses produtos respondem pela maior parte do faturamento, a consequência de deixar faltar um item da categoria A é desproporcionalmente maior do que deixar faltar um item da categoria C. 

No exemplo numérico, faltar o produto P1 por uma semana representa arriscar quase 30% do faturamento mensal daquele período, enquanto faltar o P10 no mesmo intervalo representa menos de 1%. 

Vale manter um acompanhamento mais frequente do saldo desses produtos, com margem de segurança maior na reposição e um alerta de estoque mínimo configurado com antecedência, justamente porque o custo de errar aqui pesa mais no resultado do mês. 

Isso está diretamente ligado a como evitar ruptura de estoque: a categoria A é exatamente onde a ruptura mais dói, e onde vale menos correr o risco de operar no limite do estoque mínimo.

Categoria B: acompanhar com atenção moderada

Os produtos da categoria B merecem acompanhamento regular, mas não precisam do mesmo nível de atenção diária da categoria A. 

Um controle periódico, sem a urgência da categoria A, costuma ser suficiente para evitar ruptura sem gastar tempo desproporcional ao retorno que esses produtos geram. 

Na prática, isso pode significar revisar o saldo desses itens semanalmente, em vez de diariamente, e aplicar uma margem de segurança de reposição menor do que a usada para a categoria A, já que o impacto de uma falta pontual é mais absorvível.

Categoria C: revisar se vale manter estoque alto

Para os produtos da categoria C, vale perguntar se o volume de estoque mantido hoje realmente se justifica. 

Como esses itens contribuem pouco para o faturamento total, manter um estoque alto deles imobiliza dinheiro que poderia estar alocado nos produtos que realmente geram resultado. Isso não significa parar de vender esses produtos, apenas reconsiderar quanto estoque deles vale manter parado. 

No exemplo numérico, os produtos P8, P9 e P10 somados representam menos de 6% do faturamento: manter, para esses três produtos, o mesmo volume de estoque de segurança usado para o produto P1 dificilmente se justifica financeiramente. 

Olhar para como calcular giro de estoque desses itens específicos ajuda a decidir até onde vale reduzir, porque um produto C de giro muito lento pede uma decisão diferente de um produto C que ainda vende com regularidade, só que em ticket baixo.

Como os relatórios do GestãoClick ajudam na análise?

Fazer a curva ABC exige, antes de tudo, ter o faturamento de cada produto organizado, e é nesse ponto que o sistema de gestão facilita o trabalho, sem substituir o raciocínio da análise em si.

Relatório de vendas por produto como base de dados

O relatório de vendas por produto já reúne o faturamento de cada item no período desejado, sem precisar levantar venda por venda manualmente. Isso não substitui o cálculo da curva ABC em si, mas elimina a parte mais trabalhosa do processo: reunir os dados brutos antes de poder classificar. 

Na prática, isso reduz o trabalho de fazer a curva ABC ao que realmente importa (ordenar, calcular o acumulado e decidir os cortes), em vez de gastar a maior parte do tempo apenas montando a base de dados que alimenta o cálculo.

Alerta de ruptura para os itens da categoria A

Depois de identificar quais produtos são da categoria A, é importante configurar um alerta de estoque mínimo para eles, dentro do controle de estoque completo do sistema, priorizando justamente os itens que a curva ABC apontou como mais importantes para o faturamento. 

Isso conecta o resultado da análise a uma ação prática de controle, em vez de a curva ABC ficar só como um exercício teórico feito uma vez e esquecido depois. 

A combinação das duas coisas (classificação por curva ABC e alerta configurado por produto) é o que transforma a análise em rotina: sem o alerta, a classificação vira um relatório pontual; sem a classificação, o alerta acaba configurado de forma genérica, sem refletir qual produto realmente merece mais margem de segurança.

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Perguntas frequentes sobre curva ABC de produtos

Curva ABC serve para qualquer tipo de negócio?

Sim, a técnica se aplica a qualquer negócio com múltiplos produtos, independente do segmento, porque o que ela mede é a concentração de faturamento entre os itens do estoque, não uma característica específica de um ramo.

Com que frequência refazer a curva ABC?

Refazer a cada trimestre costuma ser suficiente para a maioria dos negócios, mas vale refazer com mais frequência em períodos de sazonalidade forte, quando os produtos de destaque mudam bastante entre uma estação e outra, sob risco de decidir com base numa classificação já ultrapassada.

Dá para fazer curva ABC sem planilha?

O cálculo em si depende de organizar os dados de faturamento por produto, geralmente numa planilha. O que o sistema de gestão facilita é fornecer esses dados já prontos pelo relatório de vendas, sem precisar levantar cada venda manualmente antes de começar a calcular.

Qual a diferença entre curva ABC e giro de estoque?

Giro de estoque mede a velocidade com que um produto é vendido e reposto. Curva ABC mede a concentração de faturamento entre os produtos. Um produto pode ter giro alto e ainda assim pertencer à categoria C, se o valor de cada venda for baixo.

Ivan Vilela

Ivan Vilela

Ivan é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto e possui pós-graduação em Revisão e Preparação de Textos pela PUC Minas.

Gleiberson Bessa

Gleiberson Bessa

Gleiberson Bessa é COO na GestãoClick, com atuação em estratégia, eficiência operacional e customer success, voltado à otimização de processos e gestão orientada por dados em empresas em crescimento. Possui formação executiva em gestão estratégica, liderança e negócios, com foco em transformar operações em resultados e impulsionar crescimento sustentável.

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